Disputa entre EUA e China na região do Indo-Pacífico?

 


Os Estados Unidos vêm tentando isolar a China política e economicamente e atuam na região do Indo-Pacífico fincando suas bandeiras militares por meio de exercícios conjuntos com forças aliadas. As motivações e as estratégias por trás das manobras de quem receia perder sua hegemonia no tabuleiro da geopolítica global.

Há intelectuais que já enxergam o declínio do império norte-americano com base na experiência de seu antecessor hegemônico: o Reino Unido do período entre guerras, polvilhado por conflitos bélicos, pandemia (da gripe espanhola) e crises econômicas na primeira metade do século XX — tal como hoje se desenha no horizonte dos EUA.

É possível adicionar o fator medo a essa equação, já que a ascensão da China como potência regional no Indo-Pacífico e mundial preocupa a cúpula do governo norte-americano.

Na tentativa de frear o dragão chinês, os EUA impuseram restrições ao acesso da China à tecnologia de semicondutores do país, acrescentando medidas destinadas a impedir o esforço de Pequim para desenvolver sua própria indústria de chips e avançar as suas capacidades militares.

A constante presença militar na região do Indo-Pacífico também é um dos tentáculos geopolíticos do governo de Joe Biden, com o Comando Indo-Pacífico dos EUA (Usindopacom, no acrônimo em inglês) realizando ações de treinamento militar constantemente com Japão, Indonésia, Coreia do Sul e outras forças aliadas.

A ação fica cristalina no compilado de estratégias para a região lançado pelo governo Biden em fevereiro, ante China e Rússia se impondo como polos de poder mundial.

Com as medidas de restrição e manobras de defesa, Washington mira o setor tecnológico chinês e o militar, já que exércitos ao redor do mundo dependem de tecnologia de ponta.

Porém a agenda norte-americana encontra um entrave substancial: países do Indo-Pacífico que cultivam boas relações econômicas com a China e temem o poderio militar de Pequim.

Para esses países, aderir às ações de Washington pode significar a perda de receitas em exportações para a China e de vantagens no âmbito da Nova Rota da Seda e em negociações na Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, na sigla em inglês).

O montante em jogo é alto: Japão e Coreia do Sul faturaram, somente em 2020, mais de US$ 130 bilhões (R$ 683 bilhões) em exportações para a China.

Além disso, o crescente poderio militar da China pode punir países da região, que são essencialmente marítimos, bloqueando acesso a territórios.

Fonte: sputniknewsbrasil

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