Os africanos foram trazidos para o brasil em condições precárias para serem escravizados forçando a realizarem trabalhos sob ameaça e tortura.
Foi mais ou menos a partir de 1850 que começaram a chegar com frequência ao Brasil escravos trazidos de algumas regiões da África. Antes disso, os africanos escravizados eram levados para Portugal e outros países da Europa, comercializados na própria costa africana e enviados para as minas de prata espanholas, no atual Peru, onde se chegava pelo rio da Prata. Com a consolidação e o crescimento da produção de açúcar nos engenhos do Nordeste, e secundariamente do Sudeste, com as crescentes dificuldades na escravização de índios e com a ampliação da presença portuguesa na costa africana, onde o tráfico de escravos era o negócio mais lucrativo, aumentou o fluxo de africanos escravizados para o Brasil.”
“Os três principais apoios dos portugueses no comércio com a costa africana atlântica eram, desde o século XVI, as ilhas do Cabo Verde, de onde atuavam na região do rio Gâmbia, e na costa entre o rio Volta e o Níger, a ilha de São Tomé, de onde atuavam tanto no golfo da Guiné quanto na região do Congo e Angola, e Luanda, de onde atuavam na costa e parte do sertão ao sul do rio Congo. A partir do fim do século XVIII, eram os brasileiros que dominavam o comércio entre a costa da Mina e Salvador, e entre Luanda e o Rio de Janeiro.”
“Assim, quando olhamos para todo o período no qual africanos escravizados foram comerciados por portugueses e brasileiros, encontramos três grandes momentos. No primeiro, que vai de cerca de 1440 a 1580, escravos da chamada Alta Guiné, na região do rio Gâmbia, eram vendidos em vários lugares: em outras partes da África, para os aças, que os punham para abrir florestas e minerar ouro; em Lisboa, onde eram encarregados principalmente dos serviços domésticos e transporte; nas ilhas atlânticas, onde trabalhavam nas plantações de cana e nos engenhos; nas ilhas de Cabo Verde, onde eram a mão-de-obra da colonização portuguesa que se implantava ali, e na América espanhola, na qual a prata que mineravam levava riqueza para Castela.”
“No segundo momento, que vai de cerca de 1580 a 1690, Luanda foi o porto pelo qual os portugueses mais comerciaram escravos. É o período das guerras angolanas: guerras contra os povos que resistiam à penetração dos seus territórios pelos portugueses; guerras que faziam muitos prisioneiros, vendidos como escravos; guerras travadas para ocupar terras onde supostamente haveria minas de prata; guerras que buscavam capturar o maior número possível de pessoas a serem vendidas para os comerciantes da costa. É também o período de grande crescimento da produção açucareira no Nordeste do Brasil, estando Recife em poder dos holandeses de 1630 a 1661. Estes também ocuparam Luanda entre 1640 e 1647, de forma a garantir a vinda dos escravos que faziam funcionar os engenhos.”
“No terceiro momento, que vai de 1690 até o final do tráfico, em 1850, tanto os portos angolanos como os portos da Costa da Mina forneceram escravos para o Brasil, havendo uma ligação estreita entre Salvador e a Costa da Mina, e o Rio de Janeiro e Angola. Dessa forma, chegaram mais escravos de origem sudanesa ao Nordeste e mais escravos bantos ao Sudeste, redistribuídos a partir desses dois portos brasileiros. Ao norte do país, pelos portos de São Luís do Maranhão e Belém do Pará, chegaram escravos vindos da Alta Guiné, principalmente de Bissau e de Cabo Verde, mas também da região de Angola. Além dessas regiões, no século XIX também a Zambézia passou a fornecer escravos para o Brasil a partir da colônia portuguesa de Moçambique, pois, apesar da distância e dos custos maiores, a vigilância britânica sobre o tráfico atlântico de escravos, num momento em que era grande a procura por eles, fez que mesmo essa rota fosse vantajosa.”
Fonte: Livro “África e Brasil Africano”, Marina de Mello e Souza, Editora Ática, 2008, página 82-84.

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